Saturday, September 30, 2006

Linux - Permissões de Acesso Especiais

O controle de acesso em arquivos e diretórios é a segurança fundamental para qualquer sistema multi-usuário.

Os sistemas de arquivos nativos do Linux implementam controle de acesso utilizando algumas propriedades dos arquivos/diretórios.

Conteúdo:

1 - Lembrando como as permissões básicas funcionam:
2 - Permissões de Acesso Especiais:
3 - SUID ( Set User ID):
3.1 - Exemplo
3.2 - Comandos
4 - SGID ( Set Group ID ):
4.1 - Exemplo
4.2 - Comandos
5 - Sticky ( Sticky bit):
5.1 - Exemplo
5.2 - Comandos

Obs.: Neste e em outros artigos que eu escrevi a formatação do texto possui os seguintes significados:

- O texto em Negrito assume que se trata de um comando que deve ser digitado.
- O texto em Itálico significa que é a saída de um comando ou conteúdo de um arquivo.
- O ">>>" significa que você deve digitar no interpretador do Python.
- O "#" significa que o comando dever ser executado como usuário "root".
- O "$" significa que o comando deve ser executado como usuário sem privilégios.

1 - Lembrando como as permissões básicas funcionam:

No Linux há três modelos de controle de acesso básicos: Read, Write e Execution.

Veja um exemplo de permissão básica na figura abaixo:



O Tipo do Objeto significa:

d => diretório
b => arquivo de bloco
c => arquivo especial de caractere
p => canal
s => socket
- => arquivo normal

Já os outros caracteres significam:

r => significa permissão de leitura (read);
w => significa permissão de gravação (write);
x => significa permissão de execução (execution);
- => significa permissão desabilitada.

Explicando um pouco mais:

Leitura (r):
Em arquivos, permite examinar o conteúdo do arquivo.
Em diretórios permite listar conteúdo do diretório.

Escrita (w):
Em arquivos, permite escrever, remover e alterar o arquivo.
Em diretórios, permite criar e remover arquivos dentro do diretório.

Execução (x):
Em arquivos, permite executar um arquivo como um programa.
Em diretório, permite ler e escrever em arquivos dentro do diretório.

Sendo que os três primeiros rwx primeiros pertencem ao Dono do arquivo, e os outros três rwx pertencem ao Grupo e por fim os últimos três rwx pertencem há outros usuários que não fazem parte do grupo.

2 - Permissões de Acesso Especiais:

Mas somente as três permissões básicas (rwx), não dão toda flexibilidade para controlar acesso aos arquivos e diretórios.
Por isso o Linux tem mais três modelos especiais para controle de acesso, chamados suid (set user id), sgid (set group id) e Sticky (Sticky bit).

Veja um exemplo de permissão especial na figura abaixo:



3 - SUID ( Set User ID):

A propriedade SUID é somente para arquivos executáveis e não tem efeito em diretórios.

Nas permissões básicas, o usuário que executou o programa é dono do processo.
Mas, em arquivo executável com a propriedade SUID aplicada, o programa rodará com o ID do dono do arquivo, não com o ID do usuário que executou o programa.
Normalmente o usuário dono do programa executável é também dono do processo sendo executado.
Ou seja, quando um arquivo/programa executável tem o controle de acesso SUID, ele é executado como se ele estivesse iniciado pelo dono do arquivo/programa.

A permissão de acesso especial SUID pode aparecer somente no campo Dono.

3.1 - Exemplo:

Um exemplo para arquivo executável com a propriedade SUID é o arquivo /usr/bin/passwd.
Ou seja, quando executamos o comando passwd com qualquer usuário normal, o processo é executado com ID do usuário root ( como se o usuário root tivesse executado o comando passwd), pois somente o usuário root tem permissão para alterar o arquivo /etc/passwd.

# ls -lah /usr/bin/passwd
-rwsr-xr-x 1 root root 27K 2006-04-03 10:37 /usr/bin/passwd

3.2 - Comandos:

- Aplicando SUID:

Aplicando a propriedade SUID em um arquivo executável utilizando formato simbólico (s):

# chmod u+s programa.sh
# ls -lah programa.sh
-rwsr-xr-x 1 root roberto 0 2006-09-26 22:57 programa.sh

Aplicando a propriedade SUID em um arquivo executável utilizando formato octal (4):

# chmod 4750 programa.sh
# ls -lah programa.sh
-rwsr-x--- 1 root roberto 0 2006-09-26 22:57 programa.sh

- Retirando SUID:

# chmod u-s programa.sh
# ls -lah programa.sh
-rwxr-x--- 1 root roberto 0 2006-09-26 22:57 programa.sh

- Procurando SUID:

Procurando a propriedade SUID em um arquivo executável utilizando formato simbólico (s):

# find /home/roberto -perm u=s
/home/roberto/programa.sh

Procurando a propriedade SUID em um arquivo executável utilizando formato octal (4):

# find /home/roberto -perm -4000
/home/roberto/programa.sh

4 - SGID ( Set Group ID ):

A propriedade SGID tem a mesma função que o SUID para arquivos executáveis.
Mas, a propriedade SGID tem um efeito especial para os diretórios.

Quando SGID é aplicado em um diretório, os novos arquivos que são criados dentro do diretório assumem o mesmo ID de Grupo do diretório com a propriedade SGID aplicado.

A permissão de acesso especial SGID pode aparecer somente no campo Grupo.

4.1 - Exemplo:

Se no diretório /home/roberto tem o grupo casa e tem o SGID habilitado, então todos os arquivos dentro do diretório /home/roberto serão criados com o grupo casa.
Esta é um importante atributo para um equipe, assumindo que todos os arquivos compartinhados devem ter o mesmo grupo.

4.2 - Comandos:

- Aplicando SGID:

Aplicando a propriedade SGID em um diretório executável utilizando formato simbólico (s):

# chmod g+s /home/equipe
# ls -lah /home/equipe
total 0
drwxr-sr-x 2 roberto equipe 48 2006-09-26 23:21 .

Aplicando a propriedade SGID em um diretório executável utilizando formato octal (2):

# chmod 2750 /home/equipe
# ls -lah /home/equipe
total 0
drwxr-s--- 2 roberto equipe 48 2006-09-26 23:21 .

- Retirando SGID:

# chmod g-s /home/equipe
# ls -lah /home/equipe
total 0
drwxr-xr-x 2 roberto equipe 48 2006-09-26 23:21 .

- Procurando SGID:

Procurando a propriedade SGID em um diretório executável utilizando formato simbólico (s):

# find /home -perm /g=s
/home/equipe

Procurando a propriedade SUID em um diretório executável utilizando formato octal (2):

# find /home -perm -2000
/home/equipe

5 - Sticky ( Sticky bit):

Em arquivos executáveis, a propriedade Sticky faz com que o sistema mantenha uma imagem do programa em memória depois que o programa finalizar.
Esta capacidade aumenta o desempenho, pois será feito um cache do programa para a memória, e da próxima vez que ele for executado, será carregado mais rápido.

Em diretórios, a propriedade Sticky impede que outros usuários deletem ou renomeam arquivos dos quais não são donos.
Isso normalmente é utilizado para aumentar a segurança, pois o diretório estará em modo append-only ( somente incremente )
Sendo assim, somente o usuário que é Dono do arquivo, poderá deletar ou renomear os arquivos dentro de um diretório com a propriedade Sticky aplicada.

A permissão especial Sticky, pode ser especificada somente no campo outros usuários das permissões de acesso.

5.1 - Exemplo:

No diretório /tmp, todos os usuários devem ter acesso para que seus programas possam criar os arquivos temporários, mas nenhum pode apagar arquivos dos outros.
Então é interessante aplicar a propriedade Sticky no diretório /tmp.

5.2 - Comandos:

- Aplicando Sticky:

Aplicando a propriedade Sticky em um arquivo executável utilizando formato octal (1)

# chmod 1750 programa_pesado.sh
# ls -lah programa_pesado.sh
-rwxr-x--T 1 root root 2,9M 2006-09-26 23:51 programa_pesado.sh

Aplicando a propriedade Sticky em um arquivo executável utilizando formato simbólico (t):

# chmod o+t programa_pesado.sh
# ls -lah programa_pesado.sh
-rwxr-x--T 1 root root 2,9M 2006-09-26 23:51 programa_pesado.sh

Aplicando a propriedade Sticky em um diretório utilizando formato simbólico (t):

# chmod o+t /tmp
# ls -lah /tmp
total 5,0K
drwxrwxrwt 8 root root 264 2006-09-26 23:22 .

Aplicando a propriedade Sticky em um diretório utilizando formato octal (1):

# chmod 1777 /tmp
# ls -lah /tmp
total 5,0K
drwxrwxrwt 8 root root 264 2006-09-26 23:22 .

- Retirando Sticky:

# chmod o-t /tmp
# ls -lah /tmp
total 5,0K
drwxrwxrwx 8 root root 264 2006-09-26 23:22 .

- Procurando Sticky:

Aplicando a propriedade Sticky em um diretório utilizando simbólico (t):

# find /home/roberto/ -perm /o=t
/home/roberto/programa_pesado.sh

Aplicando a propriedade Sticky em um diretório utilizando formato octal (1):

# find /home/roberto/ -perm -1000
/home/roberto/programa_pesado.sh

Referência:
Guia Foca Linux - Permissões especiais
LPI Linux Certification in a Nutshell
IBM DeveloperWorks - Linux LPI - Tópico 104.

Recursos:
Manual do comando chmod

7 Comments:

At 2:35 PM, Blogger Diogo said...

Faz bastante tempo, mas, vou elogiar esse artigo mesmo assim! heehehe
muito bem escrito e explicado! parabéns

 
At 3:19 PM, Blogger Dalmer said...

Parabéns pelo artigo, muito bem elaborado e muito didático. Estou estudando permissões para prestar as provas da LPI e seu artigo me ajudou bastante.

 
At 7:09 AM, Blogger Lucas Sabino said...

Artigo muito bom Roberto.

Eu também tenho um blogspot, posso copiar o seu artigo?

Gostaria de copiar pois sou professor de Linux e sempre digo aos meus alunos para verem artigos meus que tem a ver com o conteúdo da aula. E ontem dei aula de permissões especiais e nunca havia escrito um artigo para permissões especiais e o seu está simplesmente perfeito.

Posso colocá-lo em meu blog para que a informação seja mais fácil de ser acessada na web?


Obrigado
Lucas Sabino
http://www.sabinux.com ou http://sabinux.blogspot.com

 
At 5:44 PM, Blogger Emanoel Lopes said...

Muito didático Roberto! Você conseguiu falar de forma simples e clara. Sugestão: escreva um livro sobre linux que você tem potencial!

 
At 5:17 AM, Blogger Vilson Jorge said...

Parabéns roberto! muito bem explicado o assunto. aprendi bastante!

 
At 9:11 PM, Blogger Heraldo said...

Parabens Roberto. Ótimo post. Obrigado.

 
At 10:27 AM, Blogger Sqiar BI said...

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